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2003, 15th February
CORREIO BRAZILIENSE
 
 
BAD BOY
Confissões de um sedutor

Tony Ward, um dos modelos mais fotografados nos anos 90, vem a Brasília gravar comercial para grife internacional de perfumes. Ex-namorado de Madonna, com quem fez o vídeo de Justify my Love, ele falou sobre drogas e romances

Juliana Moreira Lima
Da equipe do Correio

Edilson Rodrigues
Tony Ward gravou na praça dos três poderes: voz suave não combina com imagem de bad boy
Um árabe, uma indiana, um africano, um barbudo com turbante na cabeça, um executivo, uma cobra (de verdade) e um cabeludo sem camisa com calça de couro estampada e tatuagens. Uma cena surreal na entrada do Supremo Tribunal Federal (STF). Na realidade, era cena de filme publicitário que estava sendo rodado em Brasília até ontem, para a campanha do perfume masculino da grife italiana Roberto Cavalli.

  Corpo malhado, cabelos negros e rebeldes, óculos escuros e cigarro na mão, um verdadeiro garanhão italiano, o cabeludo e protagonista do filme. Parece um autêntico garanhão italiano. Mas as aparências enganam. Primeiro, porque de italiano ele não tem nada, sua mãe é de origem portuguesa. Segundo, quando abre a boca uma voz mansa, suave, que não combina nada com o que a mídia sempre falou do bad boy modelo norte-americano Tony Ward.

  Um dos modelos fotográficos mais conhecidos do final da década 80 e começo dos anos 90, Tony Ward é, quase sempre, ligado à popstar Madonna. Ele protagonizou o videoclipe Justify my Love e depois foi modelo de Sex, livro polêmico que a cantora lançou em 1990.

Ajuda de Madonna
Namoraram alguns meses e depois viraram grandes amigos. ‘‘Ela é uma pessoa linda, maravilhosa. Me ajudou muito e a nossa relação virou uma coisa muito maternal’’, ressalta.

Na época em que estava com Madonna, Tony Ward usava muitas drogas e bebia demais. Foi Madonna quem financiou suas duas internações em clínicas de reabilitação.

  Aos 39 anos, Tony tem carreira que ultrapassa duas décadas, um recorde para uma profissão que normalmente dura no máximo uns dez anos.

Tony é modelo até hoje. Sustenta a família com o que ganha fazendo comerciais. Mas sua mais recente paixão é a fotografia. ‘‘Adoro estar do outro lado da câmera’’, conta com um sorriso maroto.

Tony Ward tem vários projetos para o futuro, entre eles escrever um roteiro, dirigir filmes e escrever uma autobiografia.

  No mês passado, o modelo deu uma entrevista à revista inglesa The Face, em que confessa ter sido garoto de programa. ‘‘Não gosto de dar entrevistas porque a imprensa já me sacaneou muito.’’

“Por isso resolvi inventar histórias e misturar com um pouco de realidade’’, explica. Mas ele deixou muito claro que a parte de ser garoto de programa era pura ficção. ‘‘Como você não é americana, nem inglesa, vou contar toda a verdade’’, brincou.

História de amor

Há quase seis anos, Tony Ward encontrou o amor da sua vida: Shinobu, uma exótica dançarina japonesa. ‘‘Já havia desistido de achar a minha alma gêmea. Não estava procurando ninguém’’, confidencia. Ward estava passando uma temporada em Tóquio e foi a uma casa noturna com shows de strippers. ‘‘Não curto ver mulheres peladas dançando, mas um amigo insistiu’’, lembra.

Tony acredita em destino: ‘‘As mulheres eram todas ocidentais, exceto uma.’’ Assim que viu a bela dançarina japonesa, se apaixonou. ‘‘Foi amor à primeira vista’’, diz. Ele estava sóbrio há oito meses e freqüentando reuniões do AA (Alcoólicos Anônimos), depois de passar anos tentando se livrar dos vícios.

Shinobu falava pouco inglês e ele, nada de japonês. Meses depois, estavam morando juntos em Los Angeles. O primogênito Tora (tigre, em japonês), tem hoje 4 anos. Lily, a segunda filha do casal, está com 2 e Shinobu está grávida do terceiro filho, que nascerá em julho. O maior sonho de Tony é poder dar uma ‘‘vida maravilhosa’’ para os filhos e um dia construir um castelo nas montanhas do norte da Califórnia, para abrigar as futuras gerações da família Ward. (JML)

 

© CORREIO BRAZILIENSE

 
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